Casa de Deus - Parte 4 - Os Frutos do Espírito
"Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei" (Gálatas 5:22-23).
A maior evidência de que alguém realmente teve sua vida alcançada e transformada por Cristo são suas ações; suas atitudes. Nenhuma palavra evidencia tanto quanto as reações e ações que manifestamos diante das situações e das pessoas. Qual seria sua reação, sendo você um homem que trabalha com plantações, se ao chegar em seu pomar você se deparasse com um pé de laranja que tendo sido plantado dentro dos padrões normais, de repente começasse a produzir limões? Não podemos atropelar as leis fundamentais da vida - se plantamos um pé de laranja, esperamos colher laranjas.
O texto de Gálatas 5 nos fala sobre os frutos do Espírito que necessariamente devem ser manifestados na vida daqueles que receberam a Cristo. Gálatas 5: 22 fala exatamente do caráter de Cristo, todas as virtudes encontradas nesse versículo estavam presentes e eram visíveis na vida de Jesus e em seu relacionamento com o PAI e com as outras pessoas. Jesus tomou forma de homem mesmo sendo Deus; o interior de Jesus era como o nosso interior. Sua alma experimentou todos os conflitos e angústias que nós experimentamos, no entanto, ainda assim esses frutos eram uma manifestação constante em sua vida porque o Espírito Santo, a Natureza Divina predominava em Jesus enquanto homem.
Amor, paz e alegria
Em tempos de tanta violência e egoísmo, percebemos tão claramente a falta da expressão desses frutos entre os relacionamentos. A Bíblia diz que Deus é amor. É preciso entender que amor não é sentimento; amar é uma escolha: já está em nós assim como diz o texto de Romanos 5:5: "Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado". Para amar, basta escolher amar com atitudes muito mais que com palavras, amar quando não vemos absolutamente nada que nos leve a isso. Assim como o próprio Deus fez ao entregar seu filho único por expiação aos pecados da humanidade. Com toda certeza, não havia nada em nós que o fizesse sentir tamanho amor, mas amor faz parte da Natureza de Deus, e se essa natureza está em nós, se a árvore desse fruto está em nós, é uma lei manifestar esse fruto. Não manifestamos de nós mesmos, pois sabemos que sozinhos nada podemos fazer, mas se somos guiados pelo Espírito de Deus, e esse Espírito derrama em nós constantemente o amor, não existe justificativa para não amarmos: Amarmos da forma correta, segundo o que Palavra nos ensina em 1 Coríntios 13:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
O amor ao contrário do que se entende é uma necessidade do homem: O homem precisa amar pra ter paz e alegria!
Também interpreta-se muito mal a alegria e apaz. Nosso mundo é pecaminoso; somos seres pecaminosos, cada um de nós sofre os efeitos do pecado: doença, perda, separação, medo, preocupação, incerteza... a lista é grande. Ninguém, nem mesmo um cristão, está livre das lutas dolorosas que nos afligem em um mundo caído. Jesus sofreu; nós também vamos sofrer. A presença de alegria e paz nas nossas vidas não significa que vams sentir-nos sempre felizes; ao contrário, alegria e paz são resultado de saber – mesmo quando não nos sentimos felizes ou quando as circunstâncias não são boas – que Deus está perto e promete nos ajudar em meio a tudo o que aconteça. Somente o Espírito Santo gera a paz que excede todo entendimento, ele trás a nós a testificação da Palavra de Deus e de Suas promessas tão reais! Somos convencidos por Ele de que temos um futuro e uma esperança, e de que Deus quer nos dar um bom final, o fim que desejamos.
A alegria e paz são evidentes em quem tem o Espírito Santo, e transmitimos a quem está a nossa volta. Importante ressaltar que essa alegria e paz não são expressas em sorrisos apenas: Não consigo imaginar Jesus sendo um homem carrancudo em sua trajétoria nesse mundo. Creio que a alegria e paz que Jesus trazia e transmitia atraia pessoas, são inumeros os versículos que nos falam da importância de experimentarmos e transmitirmos a alegria e paz como sinônimo e testemunho de que fomos marcados com a vitória da Cruz. Paz e alegria são frutos que o Espírito gera em cada coração onde Ele habita e é preciso manifestá-las! Isso só é possível quando nós estamos cheios desse Espírito e estamos sendo realmente guiados e dominados por Ele. A confiança e a certeza de que nossas vidas estão guardadas e cuidadas por Deus produzem a paz que excede todo entendimento e a alegria que o mundo não compreende exala espontaneamente de nós.
Longanimidade, benignidade e bondade
As relações com outras pessoas são uma constante em nossas vidas. Arrisco-me a dizer que nos relacionamos muito mais tempo com pessoas do que propriamente com Deus. Na escola, no tabalho, em casa, por onde passamos encontramos pessoas e interagimos com elas: pessoas de temperamentos e personalidades diferentes. Exatamente nessas relações é que percebemos a importância de expressarmos frutos do Espírito como a longanimidade. Ser longânimo é ser tolerante, paciente, não se deixar dominar por explosões, alguém "pavio longo" com se diz no popular. A Bíblia nos adverte sobre a necessidade de sermos longânimos e dá inúmeros exemplos nos quais Jesus manifestava essa qualidade, alguns deles estão em Mateus 15:15-20, Lucas 9:51-55 e João 13:3-5. Mas a forma mais prática seria observarmos em Deus essa característica, afinal de contas, Ele expressa longanimidade para conosco todo tempo, sendo paciente ante as nossas falhas, rebeldia e pecados.
Diante das injúrias, calúnias e ofensas, a resposta geralmente é a vingança. Mas é importante salientar é que longanimidade é algo conquistado com a prática. Nas pequenas situações do dia-a-dia temos inúmeras oportunidades de aprender sobre o domínio próprio das reações, assim como no trânsito, nas filas de banco, etc... O que muitas vezes acontece é que diante das grandes frustrações e circunstâncias adversas nossa má natureza deseja se sobressair; no entanto a Palavra de Deus nos adverte e nos ensina que precisamos estar cheios de Espírito de Deus para que não venhamos pecar. Ser longânimo não é ser passivo e aceitar que todos te prejudiquem ou ofendam, como disse, longanimidade está relacionada a auto-controle dos impulsos: Não devemos aceitar algo que ofenda nossos direitos, no entanto não podemos pecar por causa disso.
Benignidade e bondade são também frutos quase extintos da atual geração. Alguns entendem que benignidade e bondade são a mesma coisa, o que não é verdade! Benigno é aquele que exerce justiça sem perder a compaixão. Numa cultura ocidental, machista como a nossa, é muito difícil exercer a gentileza sem ser criticado ou estigmatizado, sempre se colocam em dúvida gestos de delicadeza, visto que a sociedade só é gentil em busca de seus interesses. Não podemos agir assim, se realmente manifestamos o Fruto do Espírito Santo em nossas vidas. A benignidade, que é a gentileza que expressa a integridade da alma, deve ser uma realidade entre os cristãos. O melhor exemplo e padrão de benignidade, embora o termo não apareça, é o de Jesus na profecia de Isaías 42.1-4, verso 3 em especial: "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça."
Bondade, como elemento do Fruto do Espírito Santo, é a qualidade do cristão em ser generoso para com os outros sem interesses escusos, mas de maneira natural, como conseqüência de um caráter bondoso. Jesus no trato com as pessoas agia de forma bondosa a ponto de afirmarem sobre ele: "Ele é bom", João 7:12. A bondade como Fruto do Espírito Santo depende do caráter cristão desenvolvido, visto que é uma forma especial de verdade e beleza no comportamento humano guiado pelo Espírito Santo.
Fidelidade, mansidão e domínio próprio
A falta de fidelidade é sinal de imaturidade espiritual. Fidelidade é uma característica fundamental para se reconhecer alguém cheio do Espírito Santo. Primeiramente observando a fidelidade a Deus: Alguém que não consegue ser fiel a Deus dificilmente vai ser fiel a outra pessoa em todas áreas. Fidelidade também é algo a ser trabalhado, pois entendemos que somos transformados de glória em glória. Fidelidade nas pequenas coisas é um grande teste, aquele que não entrega o pouco dificilmente entregará o muito; aquele que não guarda pequenos segredos dificilmente guardará os grandes. Ser fiel não é vocação, é obrigação! Não é favor, é expressão da presença do Espírito Santo.
Mansidão e domínio próprio caminham juntas, aas é preciso entender que esses frutos dizem muito respeito a traumas particulares: geralmente alguém que expressa mansidão tem seus traumas de certa forma tratados e resolvidos. A agressão e rispidez, presentes em alguém que não é manso geralmente são reflexo de problemas internos, na maioria das vezes.
É fácil cobrar dos outros uma postura mansa, o difícil é sermos mansos. O fato é que cobramos do outro muito do que precisamos ser. A agressão ao próximo é o reflexo de um investimento emocional de agressão a si mesmo. Mansidão como elemento do Fruto do Espírito Santo é resultado da nossa humildade e da nossa resignação a Deus. Mesmo em atmosferas hostis o crente pode e deve desenvolver mansidão. Jesus deu exemplos de mansidão e afirmou ser manso, Mateus 11:28-29, o que se confirma por profecias tais como as de Zacarias 9:9. Outros exemplos marcantes são o de Pedro e o de João, o "Filho do Trovão", que se tornou o "Apóstolo do Amor".
Domínio próprio é uma das mais sublimes virtude do Espírito Santo, visto que nenhum conflito humano é tão agressivo como o daquelas pessoas que se esforçam para subjugarem-se a si mesmas. Aristóteles dizia que a vitória sobre si mesmo, sobre seus próprios desejos, fazia do homem mais corajoso que os vencedores nas batalhas. Domínio Próprio deve ser a prática normal da vida cristã.
Não adianta nos desgastarmos na tentativa de dominarmos os outros, enquanto não nos dominarmos somos apenas escravos dos desejos. Jesus deu-nos exemplos de Domínio Próprio no conflito com Herodes (Lucas 23.6-11), com o Sumo Sacerdote (Mateus 26:63-65) e diante de Pilatos (João 19:8-11), exemplos a serem seguidos por todo o crente cheio do Espírito Santo. Vimos que tal Fruto é o caráter de Cristo em nós, manifestando a plenitude do Espírito Santo em nossas vidas, na comunhão com Deus, nas relações interpessoais e nas relações com nosso próprio interior.
Se praticarmos o Amor, a Alegria, a Paz, a Longanimidade, a Benignidade, a Bondade, a Fidelidade, a Mansidão e o Domínio Próprio, seremos bênçãos de Deus para o mundo, abençoados apesar de vivermos em mundo conturbado. Não podemos esquecer que a Bíblia orienta que não há lei que possa se impôr aos que praticam essas virtudes. Não há código penal que atinja o cristão cheio de Espírito Santo e não há sistema ético que condene um salvo que busca refletir a glória de Deus: Quem vive no fluir do Espírito tem vida em Deus e sua conduta é sempre pacificadora e conciliadora. O cristão que entende e que procura colocar em prática tais virtudes é sempre um cristão equilibrado e vencedor, é sempre uma bênção para sua igreja e para o Reino de Deus.
No próximo tópico falaremos sobre o Espírito Santo, os ministérios e também sobre a importância do Batismo no Espírito. Aguarde!
(CONTINUA...)
A maior evidência de que alguém realmente teve sua vida alcançada e transformada por Cristo são suas ações; suas atitudes. Nenhuma palavra evidencia tanto quanto as reações e ações que manifestamos diante das situações e das pessoas. Qual seria sua reação, sendo você um homem que trabalha com plantações, se ao chegar em seu pomar você se deparasse com um pé de laranja que tendo sido plantado dentro dos padrões normais, de repente começasse a produzir limões? Não podemos atropelar as leis fundamentais da vida - se plantamos um pé de laranja, esperamos colher laranjas.
O texto de Gálatas 5 nos fala sobre os frutos do Espírito que necessariamente devem ser manifestados na vida daqueles que receberam a Cristo. Gálatas 5: 22 fala exatamente do caráter de Cristo, todas as virtudes encontradas nesse versículo estavam presentes e eram visíveis na vida de Jesus e em seu relacionamento com o PAI e com as outras pessoas. Jesus tomou forma de homem mesmo sendo Deus; o interior de Jesus era como o nosso interior. Sua alma experimentou todos os conflitos e angústias que nós experimentamos, no entanto, ainda assim esses frutos eram uma manifestação constante em sua vida porque o Espírito Santo, a Natureza Divina predominava em Jesus enquanto homem.
Amor, paz e alegria
Em tempos de tanta violência e egoísmo, percebemos tão claramente a falta da expressão desses frutos entre os relacionamentos. A Bíblia diz que Deus é amor. É preciso entender que amor não é sentimento; amar é uma escolha: já está em nós assim como diz o texto de Romanos 5:5: "Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado". Para amar, basta escolher amar com atitudes muito mais que com palavras, amar quando não vemos absolutamente nada que nos leve a isso. Assim como o próprio Deus fez ao entregar seu filho único por expiação aos pecados da humanidade. Com toda certeza, não havia nada em nós que o fizesse sentir tamanho amor, mas amor faz parte da Natureza de Deus, e se essa natureza está em nós, se a árvore desse fruto está em nós, é uma lei manifestar esse fruto. Não manifestamos de nós mesmos, pois sabemos que sozinhos nada podemos fazer, mas se somos guiados pelo Espírito de Deus, e esse Espírito derrama em nós constantemente o amor, não existe justificativa para não amarmos: Amarmos da forma correta, segundo o que Palavra nos ensina em 1 Coríntios 13:
"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
O amor ao contrário do que se entende é uma necessidade do homem: O homem precisa amar pra ter paz e alegria!
Também interpreta-se muito mal a alegria e apaz. Nosso mundo é pecaminoso; somos seres pecaminosos, cada um de nós sofre os efeitos do pecado: doença, perda, separação, medo, preocupação, incerteza... a lista é grande. Ninguém, nem mesmo um cristão, está livre das lutas dolorosas que nos afligem em um mundo caído. Jesus sofreu; nós também vamos sofrer. A presença de alegria e paz nas nossas vidas não significa que vams sentir-nos sempre felizes; ao contrário, alegria e paz são resultado de saber – mesmo quando não nos sentimos felizes ou quando as circunstâncias não são boas – que Deus está perto e promete nos ajudar em meio a tudo o que aconteça. Somente o Espírito Santo gera a paz que excede todo entendimento, ele trás a nós a testificação da Palavra de Deus e de Suas promessas tão reais! Somos convencidos por Ele de que temos um futuro e uma esperança, e de que Deus quer nos dar um bom final, o fim que desejamos.
A alegria e paz são evidentes em quem tem o Espírito Santo, e transmitimos a quem está a nossa volta. Importante ressaltar que essa alegria e paz não são expressas em sorrisos apenas: Não consigo imaginar Jesus sendo um homem carrancudo em sua trajétoria nesse mundo. Creio que a alegria e paz que Jesus trazia e transmitia atraia pessoas, são inumeros os versículos que nos falam da importância de experimentarmos e transmitirmos a alegria e paz como sinônimo e testemunho de que fomos marcados com a vitória da Cruz. Paz e alegria são frutos que o Espírito gera em cada coração onde Ele habita e é preciso manifestá-las! Isso só é possível quando nós estamos cheios desse Espírito e estamos sendo realmente guiados e dominados por Ele. A confiança e a certeza de que nossas vidas estão guardadas e cuidadas por Deus produzem a paz que excede todo entendimento e a alegria que o mundo não compreende exala espontaneamente de nós.
Longanimidade, benignidade e bondade
As relações com outras pessoas são uma constante em nossas vidas. Arrisco-me a dizer que nos relacionamos muito mais tempo com pessoas do que propriamente com Deus. Na escola, no tabalho, em casa, por onde passamos encontramos pessoas e interagimos com elas: pessoas de temperamentos e personalidades diferentes. Exatamente nessas relações é que percebemos a importância de expressarmos frutos do Espírito como a longanimidade. Ser longânimo é ser tolerante, paciente, não se deixar dominar por explosões, alguém "pavio longo" com se diz no popular. A Bíblia nos adverte sobre a necessidade de sermos longânimos e dá inúmeros exemplos nos quais Jesus manifestava essa qualidade, alguns deles estão em Mateus 15:15-20, Lucas 9:51-55 e João 13:3-5. Mas a forma mais prática seria observarmos em Deus essa característica, afinal de contas, Ele expressa longanimidade para conosco todo tempo, sendo paciente ante as nossas falhas, rebeldia e pecados.
Diante das injúrias, calúnias e ofensas, a resposta geralmente é a vingança. Mas é importante salientar é que longanimidade é algo conquistado com a prática. Nas pequenas situações do dia-a-dia temos inúmeras oportunidades de aprender sobre o domínio próprio das reações, assim como no trânsito, nas filas de banco, etc... O que muitas vezes acontece é que diante das grandes frustrações e circunstâncias adversas nossa má natureza deseja se sobressair; no entanto a Palavra de Deus nos adverte e nos ensina que precisamos estar cheios de Espírito de Deus para que não venhamos pecar. Ser longânimo não é ser passivo e aceitar que todos te prejudiquem ou ofendam, como disse, longanimidade está relacionada a auto-controle dos impulsos: Não devemos aceitar algo que ofenda nossos direitos, no entanto não podemos pecar por causa disso.
Benignidade e bondade são também frutos quase extintos da atual geração. Alguns entendem que benignidade e bondade são a mesma coisa, o que não é verdade! Benigno é aquele que exerce justiça sem perder a compaixão. Numa cultura ocidental, machista como a nossa, é muito difícil exercer a gentileza sem ser criticado ou estigmatizado, sempre se colocam em dúvida gestos de delicadeza, visto que a sociedade só é gentil em busca de seus interesses. Não podemos agir assim, se realmente manifestamos o Fruto do Espírito Santo em nossas vidas. A benignidade, que é a gentileza que expressa a integridade da alma, deve ser uma realidade entre os cristãos. O melhor exemplo e padrão de benignidade, embora o termo não apareça, é o de Jesus na profecia de Isaías 42.1-4, verso 3 em especial: "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça. A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça."
Bondade, como elemento do Fruto do Espírito Santo, é a qualidade do cristão em ser generoso para com os outros sem interesses escusos, mas de maneira natural, como conseqüência de um caráter bondoso. Jesus no trato com as pessoas agia de forma bondosa a ponto de afirmarem sobre ele: "Ele é bom", João 7:12. A bondade como Fruto do Espírito Santo depende do caráter cristão desenvolvido, visto que é uma forma especial de verdade e beleza no comportamento humano guiado pelo Espírito Santo.
Fidelidade, mansidão e domínio próprio
A falta de fidelidade é sinal de imaturidade espiritual. Fidelidade é uma característica fundamental para se reconhecer alguém cheio do Espírito Santo. Primeiramente observando a fidelidade a Deus: Alguém que não consegue ser fiel a Deus dificilmente vai ser fiel a outra pessoa em todas áreas. Fidelidade também é algo a ser trabalhado, pois entendemos que somos transformados de glória em glória. Fidelidade nas pequenas coisas é um grande teste, aquele que não entrega o pouco dificilmente entregará o muito; aquele que não guarda pequenos segredos dificilmente guardará os grandes. Ser fiel não é vocação, é obrigação! Não é favor, é expressão da presença do Espírito Santo.
Mansidão e domínio próprio caminham juntas, aas é preciso entender que esses frutos dizem muito respeito a traumas particulares: geralmente alguém que expressa mansidão tem seus traumas de certa forma tratados e resolvidos. A agressão e rispidez, presentes em alguém que não é manso geralmente são reflexo de problemas internos, na maioria das vezes.
É fácil cobrar dos outros uma postura mansa, o difícil é sermos mansos. O fato é que cobramos do outro muito do que precisamos ser. A agressão ao próximo é o reflexo de um investimento emocional de agressão a si mesmo. Mansidão como elemento do Fruto do Espírito Santo é resultado da nossa humildade e da nossa resignação a Deus. Mesmo em atmosferas hostis o crente pode e deve desenvolver mansidão. Jesus deu exemplos de mansidão e afirmou ser manso, Mateus 11:28-29, o que se confirma por profecias tais como as de Zacarias 9:9. Outros exemplos marcantes são o de Pedro e o de João, o "Filho do Trovão", que se tornou o "Apóstolo do Amor".
Domínio próprio é uma das mais sublimes virtude do Espírito Santo, visto que nenhum conflito humano é tão agressivo como o daquelas pessoas que se esforçam para subjugarem-se a si mesmas. Aristóteles dizia que a vitória sobre si mesmo, sobre seus próprios desejos, fazia do homem mais corajoso que os vencedores nas batalhas. Domínio Próprio deve ser a prática normal da vida cristã.
Não adianta nos desgastarmos na tentativa de dominarmos os outros, enquanto não nos dominarmos somos apenas escravos dos desejos. Jesus deu-nos exemplos de Domínio Próprio no conflito com Herodes (Lucas 23.6-11), com o Sumo Sacerdote (Mateus 26:63-65) e diante de Pilatos (João 19:8-11), exemplos a serem seguidos por todo o crente cheio do Espírito Santo. Vimos que tal Fruto é o caráter de Cristo em nós, manifestando a plenitude do Espírito Santo em nossas vidas, na comunhão com Deus, nas relações interpessoais e nas relações com nosso próprio interior.
Se praticarmos o Amor, a Alegria, a Paz, a Longanimidade, a Benignidade, a Bondade, a Fidelidade, a Mansidão e o Domínio Próprio, seremos bênçãos de Deus para o mundo, abençoados apesar de vivermos em mundo conturbado. Não podemos esquecer que a Bíblia orienta que não há lei que possa se impôr aos que praticam essas virtudes. Não há código penal que atinja o cristão cheio de Espírito Santo e não há sistema ético que condene um salvo que busca refletir a glória de Deus: Quem vive no fluir do Espírito tem vida em Deus e sua conduta é sempre pacificadora e conciliadora. O cristão que entende e que procura colocar em prática tais virtudes é sempre um cristão equilibrado e vencedor, é sempre uma bênção para sua igreja e para o Reino de Deus.
No próximo tópico falaremos sobre o Espírito Santo, os ministérios e também sobre a importância do Batismo no Espírito. Aguarde!
(CONTINUA...)