Violência Urbana, Igreja e Desesperança/Recados importantes
RECADOS IMPORTANTES
Graça e Paz!
1. Viagem ao Rio de Janeiro - Confirmada! 17 a 24 de Janeiro de 2007
É com alegria que eu compartilho essa bênção! Foi logo na primeira semana desse ano que eu tive a idéia de ir pro Rio de Janeiro. Orei ao Senhor, falei com meus pais, e eles aprovaram a viagem! Enfrentei ainda algumas outras dificuldades quanto a certos detalhes, e até cheguei a pensar que não seria mais possível. Mas Deus preparou tudo na hora certa pra eu realizar mais esse pequeno sonho que já se arrasta por alguns anos... já cheguei a planejar umas três vezes ir pro Rio, mas nunca deu certo. Enfim, chegou o tempo certo, e dia 17 estou embarcando pra passar uma semana maravilhosa no Rio de Janeiro, ver lugares bonitos, e principalmente encontrar gente abençoada!
2. Caravana Geração DT - Vagas se esgotando!
Estava conversando com o Rogério esse final de semana, e ele me disse que só há mais algumas poucas vagas na caravana Geração DT. Se você ainda não fez a sua adesão, faça antes que acabe! E-mail: caravana@geracaodt.com, Telefone: (19) 3245-2962
3. O texto que você vai ler abaixo, sobre Violência Urbana, é o que escrevi pra próxima edição do Rio Grande Gospel. Se você mora no Rio Grande do Sul, não deixe de adquirir a edição desse mês que está imperdível!
VIOLÊNCIA URBANA, IGREJA E DESESPERANÇA
Por Ricardo Régener
"Base da polícia é metralhada", "Menina que brincava é morta na porta de casa", "Temor e indignação marcam funerais". Não, essas não são manchetes sobre o Iraque, a Somália ou sobre a Palestina, tratam-se de notícias de um mesmo jornal, todas elas sobre acontecimentos de um mesmo dia, nas grandes cidades brasileiras. Viro algumas páginas e, perplexo, percebo o sinistro paralelo: "Violência mata 30 no Iraque", "Líder palestino é morto em retaliação de Israel". De posse de uma calculadora, faço as contas: 31 mortes noticiadas nos conflitos sectários do Oriente Médio, 61 na guerra entre o Estado brasileiro e os bandidos.
A violência já passou a fazer parte do dia-a-dia dos brasileiros, em especial dos moradores das grandes cidades: todo ano são 60 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes no Rio de Janeiro, 58 em São Paulo, 29 em Porto Alegre. Notícias sobre a barbaridade e a freqüência com que os crimes são cometidos já não impressionam mais essas populações. Em várias regiões as pessoas aprenderam a conviver com o poder paralelo do crime, tratando-o inclusive de maneira bastante prosaica. Uma conversa rápida com moradores de regiões que sofrem com a influência do crime revela isso: "se você nunca foi assaltado, não é carioca de verdade", diz em clima de descontração Lizia Malter, 21, moradora de uma comunidade pobre do Rio de Janeiro. Thiago de Souza, 20, morador de Bangu, também no Rio, conta sobre a convivência da comunidade e da igreja com os criminosos: "perto da minha igreja fizeram um acordo com os bandidos para não assaltarem mais os carros dos membros, é o poder paralelo da cidade, a gente não sabe se conta mais com o governo, com a polícia, com os bandidos...".
O fato é que o século XX, especialmente o período compreendido entre as décadas de 30 e 70, presenciou a transformação de um Brasil agrário, rural e arcaico, em um Brasil industrial, urbano e moderno. O processo de urbanização, no entanto, não trouxe consigo iniciativas adequadas de inclusão social e de distribuição de renda: a desigualdade reproduziu-se em mais um ciclo econômico brasileiro. Sem condições adequadas, os mais pobres ocuparam desoordenadamente as regiões mais desvalorizadas das cidades, dando origem às favelas. Marginalizadas, sem educação, saúde, transporte, emprego e infra-estrutura, essas comunidades pobres tornaram-se ambiente propício para a ploriferação da violência e da criminalidade: o alto poder aquisitivo das elites foi a última peça do quebra-cabeça que deu origem ao lucrativo tráfico de drogas, e ao domínio de facções sobre as favelas, e por fim sobre as cidades.
Apesar do problema grave da violência urbana ser fruto de um longo processo de marginalização e de concentração de renda e poder. As autoridades constituídas têm tratado a questão como mero "caso de polícia", resolvida através de medidas como aumento de contingentes, apelos ao exército, investimentos em inteligência e tecnologia. De fato, feito o problema, é necessário tomar medidas de efeito imediato para a manutenção do estado de direito, e isso se faz essencialmente com policiamento. No entanto, muito pouco se fala em reversão do processo histórico que deu origem ao clima de insegurança em que vivemos, seja porque essas políticas não rendem bônus eleitoral, seja porque dar condições melhores à população brasileira representa um empecilho à manutenção do poder político e econômico nas mãos das elites.
Dessa maneira, ano após ano a violência urbana se reproduz, numa escalada frenética do poder paralelo das facções criminosas. Os investimentos e promessas não são suficientes para a repressão do crime: a medida que as populações das regiões de risco incorporam o poder dos bandidos ao seu dia-a-dia (muitas até recebendo de traficantes infra-estrutura não fornecida pelo Estado, como escolas e postos de saúdes), as elites, repelindo de si qualquer responsabilidade pela criminalidade, fecham-se em condomínios de segurança máxima, cercados por muralhas. As relações de civilidade se escasseiam, a desconfiança aumenta, o estresse e os transtornos psicológicos ploriferam-se: é a cidade, símbolo do renascimento do século XVI, retornando à era da clausura, do medo e do isolamento.
Diante desse quadro, já digno de ser chamado "desesperador", paramos para analisar o papel dos cristãos diante desse contexto de violência. Nessa discussão, há diversidade de opiniões, apesar do pessimismo generalizado.
Há quem considere o quadro da violência urbana brasileira fatalmentente consolidado, sinal do fim dos tempos: "a violência no Brasil chegou a um patamar irreversível" sentencia Carlos Júnior, 17, goiano, "a Bíblia diz que haverá pranto e desespero por toda parte antes da volta de Cristo, a violência, guerras e todos esses desastres naturais são apenas sinais do fim dos tempos. Jesus está voltando", completa. Pregações sobre os últimos dias ploriferam-se em meio ao clima de insegurança, pastores fazem sermões alertando suas igrejas sobre as profecias, o que de alguma maneira acaba gerando certa acomodação e conformismo de cristãos diante do quadro.
Já outros acreditam que é possível a Igreja de alguma maneira fazer diferença em um país violento: "Como cristãos deveríamos sentir a obrigação de fazer a diferença, não digo que devemos sair por ai tirando metralhadora das mãos dos bandidos, mas influenciar o meio que vivemos", diz Cristiane Corrêa, 24, paulista, também com certa descrença em relação a uma mudança radical no quadro da violência: "Não acredito em um país melhor, e não é falta de otimismo, é porque creio que os dias são ruins mesmo, e que a tendência é piorar, nem por isso vou ficar sentada de braços cruzados, estática a observar a decadência do meu próximo", completa.
Sem dúvida o problema da violência urbana não será resolvido antes que haja efetiva reversão do processo de concentração de renda no Brasil, o que é em alguma medida quase impensável, considerando a letargia da nossa história. Como Igreja, não seria proveitoso certas medidas políticas contra a violência, no entanto, faz parte da natureza do corpo de Cristo fazer diferença no meio da hostilidade, e isso envolve justamente oferecer ao mundo um espaço alternativo, onde o medo, a guerra e a indiferença não imperam, mas antes o amor incondicional e a fraternidade entre os homens.
Por fim, como a pequena rosa de Drummond, símbolo da esperança, que fura o asfalto cinzento e pára a cidade, uma pitada de otimismo em meio a tantas informações catastróficas me é irresistível: afinal de contas, se em Cingapura extingüiu-se a pobreza e o vício em pleno final de século XX, se a Dinamarca passa anos sem registrar homicídios, se a Coréia do Sul em 20 anos superou sua condição de subdesenvolvimento, que também nos seja permitido abrir mão das trágicas previsões apocalípticas para, no mínimo, idealizarmos uma nação que superou a violência e a criminalidade.
Graça e Paz!
1. Viagem ao Rio de Janeiro - Confirmada! 17 a 24 de Janeiro de 2007
É com alegria que eu compartilho essa bênção! Foi logo na primeira semana desse ano que eu tive a idéia de ir pro Rio de Janeiro. Orei ao Senhor, falei com meus pais, e eles aprovaram a viagem! Enfrentei ainda algumas outras dificuldades quanto a certos detalhes, e até cheguei a pensar que não seria mais possível. Mas Deus preparou tudo na hora certa pra eu realizar mais esse pequeno sonho que já se arrasta por alguns anos... já cheguei a planejar umas três vezes ir pro Rio, mas nunca deu certo. Enfim, chegou o tempo certo, e dia 17 estou embarcando pra passar uma semana maravilhosa no Rio de Janeiro, ver lugares bonitos, e principalmente encontrar gente abençoada!
2. Caravana Geração DT - Vagas se esgotando!
Estava conversando com o Rogério esse final de semana, e ele me disse que só há mais algumas poucas vagas na caravana Geração DT. Se você ainda não fez a sua adesão, faça antes que acabe! E-mail: caravana@geracaodt.com, Telefone: (19) 3245-2962
3. O texto que você vai ler abaixo, sobre Violência Urbana, é o que escrevi pra próxima edição do Rio Grande Gospel. Se você mora no Rio Grande do Sul, não deixe de adquirir a edição desse mês que está imperdível!
VIOLÊNCIA URBANA, IGREJA E DESESPERANÇA
Por Ricardo Régener
"Base da polícia é metralhada", "Menina que brincava é morta na porta de casa", "Temor e indignação marcam funerais". Não, essas não são manchetes sobre o Iraque, a Somália ou sobre a Palestina, tratam-se de notícias de um mesmo jornal, todas elas sobre acontecimentos de um mesmo dia, nas grandes cidades brasileiras. Viro algumas páginas e, perplexo, percebo o sinistro paralelo: "Violência mata 30 no Iraque", "Líder palestino é morto em retaliação de Israel". De posse de uma calculadora, faço as contas: 31 mortes noticiadas nos conflitos sectários do Oriente Médio, 61 na guerra entre o Estado brasileiro e os bandidos.
A violência já passou a fazer parte do dia-a-dia dos brasileiros, em especial dos moradores das grandes cidades: todo ano são 60 vítimas de homicídio por 100 mil habitantes no Rio de Janeiro, 58 em São Paulo, 29 em Porto Alegre. Notícias sobre a barbaridade e a freqüência com que os crimes são cometidos já não impressionam mais essas populações. Em várias regiões as pessoas aprenderam a conviver com o poder paralelo do crime, tratando-o inclusive de maneira bastante prosaica. Uma conversa rápida com moradores de regiões que sofrem com a influência do crime revela isso: "se você nunca foi assaltado, não é carioca de verdade", diz em clima de descontração Lizia Malter, 21, moradora de uma comunidade pobre do Rio de Janeiro. Thiago de Souza, 20, morador de Bangu, também no Rio, conta sobre a convivência da comunidade e da igreja com os criminosos: "perto da minha igreja fizeram um acordo com os bandidos para não assaltarem mais os carros dos membros, é o poder paralelo da cidade, a gente não sabe se conta mais com o governo, com a polícia, com os bandidos...".
O fato é que o século XX, especialmente o período compreendido entre as décadas de 30 e 70, presenciou a transformação de um Brasil agrário, rural e arcaico, em um Brasil industrial, urbano e moderno. O processo de urbanização, no entanto, não trouxe consigo iniciativas adequadas de inclusão social e de distribuição de renda: a desigualdade reproduziu-se em mais um ciclo econômico brasileiro. Sem condições adequadas, os mais pobres ocuparam desoordenadamente as regiões mais desvalorizadas das cidades, dando origem às favelas. Marginalizadas, sem educação, saúde, transporte, emprego e infra-estrutura, essas comunidades pobres tornaram-se ambiente propício para a ploriferação da violência e da criminalidade: o alto poder aquisitivo das elites foi a última peça do quebra-cabeça que deu origem ao lucrativo tráfico de drogas, e ao domínio de facções sobre as favelas, e por fim sobre as cidades.
Apesar do problema grave da violência urbana ser fruto de um longo processo de marginalização e de concentração de renda e poder. As autoridades constituídas têm tratado a questão como mero "caso de polícia", resolvida através de medidas como aumento de contingentes, apelos ao exército, investimentos em inteligência e tecnologia. De fato, feito o problema, é necessário tomar medidas de efeito imediato para a manutenção do estado de direito, e isso se faz essencialmente com policiamento. No entanto, muito pouco se fala em reversão do processo histórico que deu origem ao clima de insegurança em que vivemos, seja porque essas políticas não rendem bônus eleitoral, seja porque dar condições melhores à população brasileira representa um empecilho à manutenção do poder político e econômico nas mãos das elites.
Dessa maneira, ano após ano a violência urbana se reproduz, numa escalada frenética do poder paralelo das facções criminosas. Os investimentos e promessas não são suficientes para a repressão do crime: a medida que as populações das regiões de risco incorporam o poder dos bandidos ao seu dia-a-dia (muitas até recebendo de traficantes infra-estrutura não fornecida pelo Estado, como escolas e postos de saúdes), as elites, repelindo de si qualquer responsabilidade pela criminalidade, fecham-se em condomínios de segurança máxima, cercados por muralhas. As relações de civilidade se escasseiam, a desconfiança aumenta, o estresse e os transtornos psicológicos ploriferam-se: é a cidade, símbolo do renascimento do século XVI, retornando à era da clausura, do medo e do isolamento.
Diante desse quadro, já digno de ser chamado "desesperador", paramos para analisar o papel dos cristãos diante desse contexto de violência. Nessa discussão, há diversidade de opiniões, apesar do pessimismo generalizado.
Há quem considere o quadro da violência urbana brasileira fatalmentente consolidado, sinal do fim dos tempos: "a violência no Brasil chegou a um patamar irreversível" sentencia Carlos Júnior, 17, goiano, "a Bíblia diz que haverá pranto e desespero por toda parte antes da volta de Cristo, a violência, guerras e todos esses desastres naturais são apenas sinais do fim dos tempos. Jesus está voltando", completa. Pregações sobre os últimos dias ploriferam-se em meio ao clima de insegurança, pastores fazem sermões alertando suas igrejas sobre as profecias, o que de alguma maneira acaba gerando certa acomodação e conformismo de cristãos diante do quadro.
Já outros acreditam que é possível a Igreja de alguma maneira fazer diferença em um país violento: "Como cristãos deveríamos sentir a obrigação de fazer a diferença, não digo que devemos sair por ai tirando metralhadora das mãos dos bandidos, mas influenciar o meio que vivemos", diz Cristiane Corrêa, 24, paulista, também com certa descrença em relação a uma mudança radical no quadro da violência: "Não acredito em um país melhor, e não é falta de otimismo, é porque creio que os dias são ruins mesmo, e que a tendência é piorar, nem por isso vou ficar sentada de braços cruzados, estática a observar a decadência do meu próximo", completa.
Sem dúvida o problema da violência urbana não será resolvido antes que haja efetiva reversão do processo de concentração de renda no Brasil, o que é em alguma medida quase impensável, considerando a letargia da nossa história. Como Igreja, não seria proveitoso certas medidas políticas contra a violência, no entanto, faz parte da natureza do corpo de Cristo fazer diferença no meio da hostilidade, e isso envolve justamente oferecer ao mundo um espaço alternativo, onde o medo, a guerra e a indiferença não imperam, mas antes o amor incondicional e a fraternidade entre os homens.
Por fim, como a pequena rosa de Drummond, símbolo da esperança, que fura o asfalto cinzento e pára a cidade, uma pitada de otimismo em meio a tantas informações catastróficas me é irresistível: afinal de contas, se em Cingapura extingüiu-se a pobreza e o vício em pleno final de século XX, se a Dinamarca passa anos sem registrar homicídios, se a Coréia do Sul em 20 anos superou sua condição de subdesenvolvimento, que também nos seja permitido abrir mão das trágicas previsões apocalípticas para, no mínimo, idealizarmos uma nação que superou a violência e a criminalidade.